Padecer de amor não é infortúnio ou desventura
como dizem os especialistas e os livros de auto-ajuda
Confirmar a misteriosa existência num momento de paixão
é viver eternamente nas entrelinhas da história da humanidade
(Um suícida não é mais que um avulso e bem-intencionado
historiador)
quinta-feira, 19 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
existir
A arte que tanto apetece
não é toda feita pelo artista
A tela que tu vês também pede
teus dois olhos para ter vida
não é toda feita pelo artista
A tela que tu vês também pede
teus dois olhos para ter vida
segunda-feira, 16 de abril de 2012
sonhos... acordar?
Naquele sonho, as almas incessantes vagueavam
nas calçadas de todas as cômodas cidades.
Clamavam por ouvidos que as escutassem;
brandiam as infinitas verdades do outro plano
Eram solitárias e por terem há pouco falecido
não tiveram tempo de esquecer os que viviam
Errantes, teimavam que alguém acordasse
e confessasse as palavras divinas para o bem da humanidade
Aquelas mais velhas, desistiam e emergiam-se na eternidade dos cosmos
Há séculos que eram ignoradas e ,enfim, desiludidas, simplesmente, paravam de tentar
Entendiam que os mortais não tinham amadurecido o bastante
E que apenas a morte traria consigo a sabedoria dos anjos
Infelizmente, por mais sábias que eram, as almas esqueciam do detalhe
de que quando o amanhecer urdia acordar os vivos
Aqueles que recordavam deste sonho
punham-se a esquecê-lo de imediato
(Parece que de acordo com o paradigma social do século 21,
as pessoas que falavam demasiado de seus sonhos
Eram logo indentificados como loucos e excluídos
para a segurança e bem da sociedade)
nas calçadas de todas as cômodas cidades.
Clamavam por ouvidos que as escutassem;
brandiam as infinitas verdades do outro plano
Eram solitárias e por terem há pouco falecido
não tiveram tempo de esquecer os que viviam
Errantes, teimavam que alguém acordasse
e confessasse as palavras divinas para o bem da humanidade
Aquelas mais velhas, desistiam e emergiam-se na eternidade dos cosmos
Há séculos que eram ignoradas e ,enfim, desiludidas, simplesmente, paravam de tentar
Entendiam que os mortais não tinham amadurecido o bastante
E que apenas a morte traria consigo a sabedoria dos anjos
Infelizmente, por mais sábias que eram, as almas esqueciam do detalhe
de que quando o amanhecer urdia acordar os vivos
Aqueles que recordavam deste sonho
punham-se a esquecê-lo de imediato
(Parece que de acordo com o paradigma social do século 21,
as pessoas que falavam demasiado de seus sonhos
Eram logo indentificados como loucos e excluídos
para a segurança e bem da sociedade)
quinta-feira, 12 de abril de 2012
sede
O vinho tinto e suave derramado
no carpete da sala
do burocrata bem pago
É da mesma cor do sangue
despejado pela bala que fura
a criança esquelética e termina seu fardo
E o pormenor que faz-se esquecer,
diariamente,
é que aquele tem gosto doce
e, este, amargo!
no carpete da sala
do burocrata bem pago
É da mesma cor do sangue
despejado pela bala que fura
a criança esquelética e termina seu fardo
E o pormenor que faz-se esquecer,
diariamente,
é que aquele tem gosto doce
e, este, amargo!
quarta-feira, 11 de abril de 2012
relato de um bandeirante
Por entre enormes ipês e teias de cipo, avistei, de relance, aquele vulto.Admiti que era uma espécie de bicho por estar, obviamente, em plena mata virgem. Nenhum cristão havia se posto a caminhar por esta floresta; muitos desistiram pelos atrozes boatos de criaturas perversas e barbáries encontradas apenas no Novo Mundo. Não tardei de limpar o suor - aquele calor infernal - e carregar a escopeta. Mandei os poucos mas bravos homens que consentiram em acompanhar-me a fazerem o mesmo. Sentia que algo estava a aproximar-se. Minutos se desenrolaram ; uma pequena eternidade para nossos fatigados corpos. Estavamos a duas luas cheias no mato e não encontravamos os crioulos que o senhor mandara recuperar. Pelo seu tom ríspido e urgente, notei que a recompensa por aquelas cabeças seria um tanto generosa. Tem sido assim na Colônia nos últimos meses; a nau que encarregara de abastecer esses senhores "naufragou" misteriosamente. Algo se moveu... O vulto retornou mas agora se despia da sombra. Acertara quanto ao que era; um índio, bicho mais astuto da mata. O sol mostrava sua pele marrom, traços finos e corpo semi-nu e liso. Estava pintado de vermelho no rosto e amarelo em outras partes do corpo; estas formando símbolos que jamais decifraria. Provavelmente, estava a par de algum ritual pagão de caça. Naquele momento perseguia um porco-do-mato mas, assim que sentiu nossa presença, escondeu-se de novo naquele labirinto infinito que eram aquelas plantas.Mil e uma coisas detestáveis podia falar a respeito daquela criatura mas admitia uma qualidade apenas: era a única espécie que sabia desvendar as inúmeras sutilezas e nuances daquele labirinto. Ouvi um tiro. Onde estava aquele bandeirante que conversara outro dia; estava ao meu lado? Mais dois tiros... Meus gritos por alguém agora confundem-se com os de desespero de outros homens. Não sei por onde o alvorolo começa ou termina; estamos sendo acertados por todos os lados. Como lutarei com um fantasma ?!?! No momento, consegui mover alguns músculos inúteis por instinto; nenhum deles impediu daquela infeliz flecha me acertar o coração. Caí ,de súbito, no chão. O sangue ,que afinal de contas não era azul, derrama e mancha as vestes. Não tenho forças pra quebrar a flecha; não importa mais. Sei que agora sou o único sobrevivente da bandeira.Escuto o leve barulho de pés descalços que se aproximam. Aproveito os momentos antes daquela deplorável e iminente morte e finalmente descanço. Contra a luz do sol trópical, encaro o mesmo vulto que reparei momentos atrás. Ele estica a ponta da flecha em direção à minha cabeça e grita algumas palavras de sua língua. Mal termina e ,como quem abate uma caça, faz a ponta de madeira atravessar minha testa . Um a um, os índios foram embora. Não enterravam os inimigos; deixavam que a Mãe Terra se encarregasse disso.Neste momento, jaz meu cadáver ainda quente no chão úmido da floresta. Não fazia diferença para ela; era apenas mais um animal morto. Reflito agora que tenho tempo. No fim , parece que aqueles negros vão conseguir escapar dessa vez; não há mais tempo do coronel contratar bandeiras antes que eles cheguem ao quilombo. Penso também que teria sido mais perspicaz da minha parte ser um caçador de índios. Talvez ainda estivesse vivo. Maldição! Morto tão facilmente por aquela besta sem alma, pela própria presa
segunda-feira, 9 de abril de 2012
murmuros do vento
Arranco esses versos infâmes em sacrifício à ti, espirito incessante
Por noites sem fim premeditei; almejava achar ao menos o que procurava
Foste minha musa, a verdadeira e, alias, única expressão dessa ingênua inconsequência
Finalmente, rogo à ti que tardes a ir embora e , quando fores, deixes, por obséquio, um pedaço de mim.
Por noites sem fim premeditei; almejava achar ao menos o que procurava
Foste minha musa, a verdadeira e, alias, única expressão dessa ingênua inconsequência
Finalmente, rogo à ti que tardes a ir embora e , quando fores, deixes, por obséquio, um pedaço de mim.
domingo, 8 de abril de 2012
adeuses
E, ao meio-dia, estavam os dois ao pé da rodoviária no fugaz e eloquente instante do último encontro
E ele a dava uma rosa; gracejo simples, antes símbolo de amor do que de paixão leviana
E o grito do motorista interrompia aquele terno e volátil beijo de despedida
E ela o via entrando no ônibus deixando apenas rosa e memórias
E ela apertava a rosa como se o abraçasse novamente, brevemente
E a saudade que escorria por entre espinhos e dedos era vermelha
E a rosa que ficara no vaso, desmanchava ,mais a cada dia
E, apesar do fatalismo do momento e da descrença dos dois, as almas dos amantes estavam em paz;
sabiam que outra semente de rosa viria a florescer
E ele a dava uma rosa; gracejo simples, antes símbolo de amor do que de paixão leviana
E o grito do motorista interrompia aquele terno e volátil beijo de despedida
E ela o via entrando no ônibus deixando apenas rosa e memórias
E ela apertava a rosa como se o abraçasse novamente, brevemente
E a saudade que escorria por entre espinhos e dedos era vermelha
E a rosa que ficara no vaso, desmanchava ,mais a cada dia
E, apesar do fatalismo do momento e da descrença dos dois, as almas dos amantes estavam em paz;
sabiam que outra semente de rosa viria a florescer
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