"Existe algo mais.." pensava Antônio, ou melhor, repetia mentalmente essa frase todos os dias como que quisesse se convencer disso. Não era mais do que um simples catador de latinhas em uma métropole que não lhe tinha piedade. Sua humilde "profissão" era ,na verdade, bastante disputada por tantos flagelados que a periferia conseguia estocar e o mundo aguentava enxergar. Os poucos reais que lhe ofertavam pelo exaustante dia de servidão ao sistema mal lhe rendia um saco de pão para nutrir seus filhos, futuros servos.
Caminhava pelas ruas à procura de algum descuido, alguém que tenha lhe feito o favor de não jogar aquela bendita latinha no lixo reciclável.Ahh, como odiava aqueles depósitos que roubavam dele seu ouro.
Ao fitar uma ,rapidamente,pegava-a e não tardava em continuar sua caça maltrapilha ao tesouro
Depois de tanto catar, mal alguentava seu franzino e esquelético corpo em pé e logo guardava o que conseguira no dia .Descansava seus calejados pés , sentando na calçada e observava o movimento frénetico da população.
Nesse dia em especial, tomou um pouco de seu tempo e refletiu como nunca. Sabia que não iria ser mais do que era ; era certo. Não queria deixar para seus filhos esse triste legado que lhe foi herdado desde o dia que nasceu ;eles estudavam pelo menos, ele nunca. Pensava que naquele momento iria achar uma grande idéia e que tudo aquilo que pensara antes era uma ilusão; nesse momento, o barulho característico do metal de uma lata contra o solo o tirou de seu sonho. Não pensou e foi logo pegá-la. À noite, foi ao bar se embriaguar; não queria mais pensar, não queria mais sonhar.
Fim
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quinta-feira, 22 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
A extraordinária historia de um Chico
Francisco Correa de Almeida, 32 anos, estava, naquele momento, sentado no sujo banco da estação Uiracoera.
Esperava o seu ônibus que o levaria a um boteco decadente no centro onde trabalhava como garçom dia e noite . Diria ele que não fora o trabalho que sonhava quando ainda tinha liberdade para isso mas o destino não tinha compaixão; aprendeu quando criança .Alem de seu emprego, possuia uma mulher e um belo casal de filhos; a primeira, testemunha de seu sofrimento, os ultimos, provas de um amor que nunca aflorou. Passos calculados deixavam todo dia um rastro dissimulado do resto da sola de seus sapatos e da solidão que lhe batia constantemente no peito enquanto retornava ao murcho seio de sua famíla no final do turno. Aqueles singelos minutos o fizeram pensar, pela primeira vez, em sua maltrapilha existencia. Rostos do passado se misturavam à sonhos desenterrados nesse sublime devaneio que lhe passou por um instante em sua cabeça, momentos antes do ônibus chegar. Lá iria Francisco, mais uma vez, cumprir sua infeliz sina. Enquanto o veículo deixava a estação, alguém diz ter visto a silhueta de um homem a correr à passos desmedidos rasgando sua última gravata borboleta. Deixava para tráz apenas um disfarçado sorriso.
Esperava o seu ônibus que o levaria a um boteco decadente no centro onde trabalhava como garçom dia e noite . Diria ele que não fora o trabalho que sonhava quando ainda tinha liberdade para isso mas o destino não tinha compaixão; aprendeu quando criança .Alem de seu emprego, possuia uma mulher e um belo casal de filhos; a primeira, testemunha de seu sofrimento, os ultimos, provas de um amor que nunca aflorou. Passos calculados deixavam todo dia um rastro dissimulado do resto da sola de seus sapatos e da solidão que lhe batia constantemente no peito enquanto retornava ao murcho seio de sua famíla no final do turno. Aqueles singelos minutos o fizeram pensar, pela primeira vez, em sua maltrapilha existencia. Rostos do passado se misturavam à sonhos desenterrados nesse sublime devaneio que lhe passou por um instante em sua cabeça, momentos antes do ônibus chegar. Lá iria Francisco, mais uma vez, cumprir sua infeliz sina. Enquanto o veículo deixava a estação, alguém diz ter visto a silhueta de um homem a correr à passos desmedidos rasgando sua última gravata borboleta. Deixava para tráz apenas um disfarçado sorriso.
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