quarta-feira, 20 de junho de 2012

Gentis pétalas rosas distraídas
voam e dançam
no outono japonês
São das mais belas marionetes
nas cordas que o vento brinca.
escondido teatro da natureza

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Não! A madrugada não é
passagem de tempo
varrido como fazem os garis
há ainda mistérios que
alguém não enxerga
É o amanhã do hoje de mais tarde

Devagarinho, os ponteiros
dos segundos é comido
pelo dos minutos e este
pelo das horas e o Sol
ainda é feto na barriga
da Mãe cosmos

Quando tudo ainda é inacabado
e impreciso por esperar o amanhecer
para acabar de ser,
há os trens e farois de rodovias
que trabalham ,incessantemente, a ninguém;
esperam amistosamente que
o primeiro trabalhador acorde
e quebre a imutabilidade das coisas

segunda-feira, 4 de junho de 2012

As velhas e gordas sereias
da Praia de Iracema
cantam e seduzem em vão

Não há mais rapazes 
que se aventuram a nadar
ao encontro delas sem
pegar micose ou afogar-se de tristeza

Ao que tudo indica, serão transferidas
ao futuro aquário, onde dançarão
aos risos de meia dúzia de turistas

sábado, 2 de junho de 2012

Neste instante, o ar pesa tanto! Um exíguo poste de luz traça meu caminho na escuridão. Já era demasiado tarde e, felizmente, os poucos postes que funcionavam estavam perto de mim. As desconexas casas escoradas umas nas outras dão um aspecto pitoresco àquela solitária rua. Não diferia das outras daquele munícipio; tudo parecia se repetir, pobre e simples. Caminho errante pelo desconhecido; assustava-me como parecia que a cidadela tinha vida própria. Naquele momento, estava a dormir em sono profundo e distante. Cheguei em uma esquina, finalmente, e tentei balbuciar o nome do sujeito na placa que indicava onde eu estava. Esqueci de mencionar que ,devido a algumas taças de vinho e uma rápida fuga da casa, onde comemorava o aniversário da sogra, para mijar, estava naquele estado lastimável. Minha esposa me intimou a ir para o aniversário de sua mãe; pensava que o álcool serviria bem a minha paciência. As palavras na placa agora não me faziam sentido; uma mistura de consoantes me fez questionar se não havia pego o avião errado e viera a alguma vila russa ou algo assim. Decidi continuar indo reto até alcançar algo ou alguém que ajude minha penosa alma a achar o caminho de casa. Enquanto isso, castigava minha cabeça tentando expulsar qualquer projeto de pensamento desconfortante; entrar em pânico seria um ato covarde e não queria passar vergonha diante dos respeitosos convidados. Mas aquele ar... parecia que o fôlego não me satisfazia e, a cada passo, sufocava-me mais com minha embriaguez. Minha tênue sombra era minha companheira mas, com ela, não poderia conversar, então, para me distrair, ouvia a conversa dos grilos noturnos. Cantavam e colocavam o assunto em dia ,já que, apenas naquela hora, que achavam sua paz. Julgava que passava perto deles pelo ríspido tom que a conversa, repentinamente, adquiria. Não ficavam felizes com forasteiros; tramavam, a cochichos, contra mim por ódio de estar profanando sua hora sagrada. Tratei de apressar o passo e sair de longe dali; não

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Deixemos o bolo
na mesa de jantar
A família suburbana
não irá a nenhum lugar
 nem o bolo...

Não dividem o bolo
com as formigas ou
roedor hospede

 Não é egoismo, não,
caro leitor bem nutrido,
É que, na falta de pão,
não há homem, só instinto

quarta-feira, 9 de maio de 2012

No terreno baldio,
por cima dos
fios eletrícos,
das velhas capelas....

Estavam lá,
rápidas e mudas,
as crianças descalsas
que empinam pipas
rasgadas e coloridas

Envelhecem depois
e pensam que tolice
era pegar os sonhos
ou Deus
tentando tocar
em fugazes nuvens
de algodão divino

Não se lembram mais que
os murmuros do vento
eram a voz do Verbo
e o céu, as vezes, tinha
a condolência de
 mostrar o futuro
no pôr-do-sol


domingo, 6 de maio de 2012

Diante da gélida e estática
sala de operações
Ruidosas maquinas abrem corpos
, milimetricamente precisos e
indiferentes.

Interrogam se acham o
mencionado orgão vascular
humano a quem eles faziam
tantos pífios escritos e
mundos paralelos.