foi reclamar na secretária do município
É que, perto de sua rua, todas as noites de terça
uma jovem mulher cantava histórias
sobre quem ela era; quem, semana passada,
se chamou bethânia das dores
ai, a mulher não tinha mais voz
e foi perguntar pela cidade
se alguém a conhecia ou sabia seu nome
terça-feira, 14 de maio de 2013
sábado, 16 de março de 2013
Agradeciam e o ofereciam filhas e banquetes
mas ele não as recebeu
Beijavam-no embaixo da chuva parisiense
mas ele não beijou de volta
Falavam paixões e medos freudianos
mas ele não as escutou
Gritavam aos prantos e o deixavam pra trás
mas ele não se importou
Esmurravam, cuspiam e caçoavam dia e noite
mas ele não sentiu nada
Mataram-no no meio do mercado da praça
mas ele nunca viveu
mas ele não as recebeu
Beijavam-no embaixo da chuva parisiense
mas ele não beijou de volta
Falavam paixões e medos freudianos
mas ele não as escutou
Gritavam aos prantos e o deixavam pra trás
mas ele não se importou
Esmurravam, cuspiam e caçoavam dia e noite
mas ele não sentiu nada
Mataram-no no meio do mercado da praça
mas ele nunca viveu
quinta-feira, 14 de março de 2013
E lá estava o prédio branco
da esquina abandonada
Não morava pessoa ou gente
apenas sem-tetos e ratos
No último andar, não existia
cupim ou fantasma de filme
O vazio e silêncio de horas atrás
era o mesmo a cada instante
Quem, algum dia, tentasse
subir as escadas e entrar lá
Não voltava ou não mais se via
perdiam-se na metáfora do meu coração
da esquina abandonada
Não morava pessoa ou gente
apenas sem-tetos e ratos
No último andar, não existia
cupim ou fantasma de filme
O vazio e silêncio de horas atrás
era o mesmo a cada instante
Quem, algum dia, tentasse
subir as escadas e entrar lá
Não voltava ou não mais se via
perdiam-se na metáfora do meu coração
quinta-feira, 7 de março de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Aonde foi minha desleixada alma?
Caminho por entre as sarjetas e mendigos
desta velha cidade bêbada
Bêbada de pessoas, de carros,
de outras almas vacilantes
Suspiro a cada homem de giz
marcado no chão pela polícia da Providência
Finalmente, acho-a trancada no banheiro do puteiro
ela não se olha no espelho porque não se reconhece
abro a porta e ela não me vê porque não me reconhece
Caminho por entre as sarjetas e mendigos
desta velha cidade bêbada
Bêbada de pessoas, de carros,
de outras almas vacilantes
Suspiro a cada homem de giz
marcado no chão pela polícia da Providência
Finalmente, acho-a trancada no banheiro do puteiro
ela não se olha no espelho porque não se reconhece
abro a porta e ela não me vê porque não me reconhece
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